...I want to know you, better than I know myself, I want to feel the end, and enjoy the consequence ♫♪


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Não muito... comum.

..."Não sabia qual era o horário pois não possuo mais celular e já resmungo por ter que voltar a usa-lo.

Era Sábado, dia 1º de setembro, a Lua estava enorme com tom alaranjado e claramente se via o formato de um coelho dentro dela. Minha lotação não chegava e eu como de costume depois de estar a um tempo ali sentado no ponto de ônibus, resolvi vim para casa por um caminho que era meu de costume mas não muito das pessoas.

A maior parte do caminho era escura e ao virar a primeira esquina avistei um velho, logo fui rápido e do outro lado da rua para que ele não pensasse que eu queria rouba-lo. Indo em direção a um trecho muito escuro ouço um:
-Ou!, o moço!
Logo pensei "ele vai me pedir um cigarro". Mas quando olhei ele disse:
-Você vai passar por essa escuridão ai? -espantado.
-Sim, Por que?
-Vai mesmo? Deixa eu te acompanhar, mas não pode, não pode! ta tudo muito perigoso hoje em dia. As pessoas são muito más.

Ele parecia um Preto-Velho e falava do mesmo jeito, mas não costumo ver espíritos tão perfeitamente assim (risos) era realmente um homem. Mas enquanto passávamos aquele trecho escuro e ele me aconselhava e sempre repetia as mesmas coisas sobre perigo e escuro, eu pensava: "É obvio que isso não é por acaso, de ontem pra hoje as coisas estão estranhas, o que é isso?"

Fiquei o observando e ele dizia que estava impressionado por eu aceitar andar ao lado dele sem medo nenhum. E eu realmente estava sossegado.

O que me chamou a atenção é que ele me deu um aviso que já tinham me dado duas vezes:
 -Cuidado com a noite meu filho! não ande sozinho no escuro, é perigoso!.



Uma vez? ok. Duas vezes? Opa... Três vezes? Acasos não se repetem três vezes. Fiquei pensativo pois eu já estava me sentindo estranho e achei que deveria voltar e ir por um caminho movimentado mas continuei sem medo como o normal.

Passei perto de um pasto e os cavalos ficaram todos paralisados e com um silencio sinistro, não ouvi e nem vi sequer um movimento deles e todos me fitavam. Os cachorros só me observavam e aqueles que armavam um escândalo quando eu passava, também se silenciaram. A Lua estava enorme e senti um certo luto vindo dos animais que encontrei no caminho.

"O que me aguarda até chegar em casa? Será? Não... idiota jamais você vai morrer hoje". Comecei a ouvir assovios vindo do mato 'penso eu' que era alguma pessoa ou sei lá o que. Os sapos começaram a cantar e eu gelei, porque eles estavam muito sincronizados em uma melodia estranha e só começaram quando eu estava me aproximando. Os cachorros começaram a uivar, parecia que estavam chorando.

Logo cheguei na pior parte, onde tinha que atravessar uma trilha dentro de uma chácara coberta de mato e arvores. Comecei a ouvir gritos não tão longe e os cachorros uivavam mais e os gritos aumentavam, eu estava apenas com um isqueiro pequeno que mau dava para enxergar o próximo passo. Seguindo naquela trilha quase coberta pela mata, ouvi passos que pareciam de algo grande como um cavalo por exemplo e desciam na minha direção, sim! fiquei com um pouco de medo mas não o suficiente pra paralisar. Como sempre coloquei na minha cabeça que não tinha nada ali e que eu estava criando coisas. Os passos pararam e logo em seguida ouvi respirações ofegantes e os matos começaram a quebrar. Não sei como, mas meu pensamento de que "era coisa da minha cabeça e não tinha nada ali" estavam me iludindo a ponto de eu conseguir ter coragem pra prosseguir naquele escuro.

Ouvi cochichos e matos quebrando e passos parecidos com cavalo. Foi quando me toquei que precisava sair dali, pois o meu coração já estava começando a acelerar e eu começando a sentir medo. Logo quando cheguei do outro lado da chácara perto de sair, ouvi outro barulho no meio do mato mas mais para baixo e não pensei muito e sumi logo! (risos).

No final eu sempre acho que tudo é da minha cabeça, pois sou teimoso. Mas tudo isso realmente aconteceu e eu não consigo entender o que exatamente estava no mato e por aconteceram tantas coisas estranhas. No momento que eu estava na trilha o verdadeiro pensamento que me confortou foi "Pô, hoje é sábado, provavelmente algum moleque trouxe alguma menina aqui embaixo (risos), eles vão se esconder e esperar eu passar".

Só na hora que cheguei em casa me toquei que nem mesmo eu estava conseguindo andar naquele escuro com o isqueiro... imagina quem estava sem nenhuma luz?.